Quando a hora de comer vira uma batalha, a culpa não é sua.
Na primeira consulta, eu converso só com vocês, os pais. A criança não precisa vir. A partir da rotina da sua casa, a gente muda o prato aos poucos, de um jeito que dure.

Nada disso é frescura, nem birra, nem falha sua. Na maioria das vezes tem a ver com textura, cheiro, sensibilidade e previsibilidade. Com tudo o que uma criança autista já demanda, é normal a família não dar conta da alimentação sozinha.
Quando tudo muda de uma vez, a criança estranha, a família cansa e o plano fica na gaveta. Por isso eu começo pelo que ela já come, o alimento que dá segurança, e vou abrindo caminho em passos pequenos, explicando o porquê de cada um.
E tem uma coisa que pouca gente percebe: a mesma previsibilidade que hoje trava o prato pode ajudar a mudá-lo. Quando um ajuste entra na rotina, ele tende a ficar.
Lugar novo, gente nova, cheiros novos: para muitas crianças autistas, isso já é muita coisa. Por isso a primeira conversa é só com vocês. Eu revejo a história dela desde o começo:
Se preferir online, a gente conversa por vídeo, e eu enxergo a rotina de onde ela acontece: a sua casa.
A história da criança, a rotina da casa e os exames. Ela não precisa vir.
Na segunda consulta, eu conheço a criança, já sabendo o que importa para ela.
Um plano que cabe na rotina, para ela comer o que precisa, sem desnutrição e sem excesso de peso.
Troca com médicos, fono e terapeutas. Se faltar acompanhamento, eu encaminho.
Seletividade alimentar, poucos alimentos aceitos, recusa de texturas e briga na hora de comer.
Rotina escolar, lanches fora de casa e mais autonomia para escolher o que comer.
Peso, ganho de massa e um plano que respeita o que você gosta e a sua rotina.
Você me chama no WhatsApp, conta um pouco do que está acontecendo, e a gente combina a primeira consulta. Sem formulário longo, sem robô: quem responde sou eu.
Quero conversar com a Andressa
Comecei como técnica em nutrição, dentro do hospital. Me formei na Unisinos e trabalhei na clínica e na UTI do Hospital Ernesto Dornelles e no Instituto de Cardiologia. Depois, passei alguns anos na indústria de nutrição enteral.
Quando voltei ao consultório, escolhi me especializar no cuidado de pessoas autistas. Percebi que, muitas vezes, o que falta é informação e um plano que respeite o jeito de cada criança e a rotina de cada família.
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Por que tantas crianças autistas comem poucos alimentos, quando isso costuma aparecer e como ampliar o cardápio aos poucos, sem brigas na mesa.
Por que o intestino preso é comum em crianças autistas, como reconhecer os sinais, o que a alimentação e a rotina podem fazer e o que a ciência diz sobre o eixo intestino-cérebro.
Como usar o alimento que a criança autista já aceita como ponto de partida: o prato com aceito, parecido e novo, o encadeamento alimentar e a exposição sem pressão.
Quando a lista de alimentos da criança autista é muito curta: a diferença entre seletividade comum e grave, o que é TARE, sinais de alerta e como a família pode agir.
Por que a carne é tão recusada, quando pedir avaliação da mastigação, como cuidar do ferro e da proteína e como reapresentar a carne aos poucos.
Passos práticos para a família quando a criança autista recusa a comida: rotina, ambiente, exposição sem pressão, o que evitar e quando procurar o médico.
Não. A primeira consulta é só com os pais, para entender toda a história e a rotina da criança. Eu conheço a criança na segunda consulta.
Se tiver exames recentes, leve: eu olho tudo na primeira consulta. Se não tiver, a gente vê juntos o que faz sentido pedir.
Sim. Eu atendo crianças, adolescentes e adultos autistas. Em cada fase, o plano muda junto com a rotina.
Funciona. Por vídeo, eu vejo a rotina de onde ela acontece, e a criança não precisa ficar parada na frente da tela.
Só quando há indicação clínica, como doença celíaca, alergia ou intolerância. Cortar alimentos sem necessidade pode deixar a seletividade ainda mais difícil.
Me conte o que está acontecendo na hora das refeições. A primeira conversa é sem compromisso.